Em cada presença da nossa Inspetoria, hoje, os Salesianos agradecem a Deus por poder participar da sua gloriosa história evangelizadora, sinal do amor misericordioso de Jesus, segundo o caminho indicado por Dom Bosco: cuidar dos jovens, sobretudo dos mais necessitados, cuidar dos pobres, indicando Maria Auxiliadora como caminho que ajuda a se aproximar de Jesus, dedicar-se à promoção humana e cristã de todos, mas especialmente dos povos indígenas, pelos quais vieram do Uruguai, enviados por Dom Rua, a pedido do Arcebispo de Cuiabá e do Presidente de Mato Grosso.

O Colégio Salesiano São Gonçalo tem a mesma idade da Missão Salesiana de Mato Grosso. Inícios muito simples e santos: ver e julgar: chegando, aos 18 de junho de 1894 na Paróquia São Gonçalo, a eles confiada, os Salesianos perceberam duas coisas urgentes: a Igreja estava em situação tão precária que devia ser substituída quanto antes; a gente era analfabeta e não estava qualificada para nenhum trabalho urbano. Pescar era sua virtude e riqueza, pois o Rio Cuiabá fornecia peixes em abundância. Agir:  no mesmo ano da chegada, em setembro, os Salesianos dirigidos pelo bispo Dom Luís Lasagna, fundaram o Liceu Salesiano de Artes e Ofícios, atual Colégio São Gonçalo.

Começaram também os primeiros trabalhos da construção de uma nova igreja, a atual Igreja de São Gonçalo e as aulas de Alfabetização e de Iniciação ao trabalho profissional, que precisaram logo de espaços maiores, encontrados na Chácara existente na área do atual Colégio São Gonçalo.

As coisas progrediram rapidamente com o suor dos Salesianos e, às vezes, com seu sangue.

A Igreja São Gonçalo surgiu, o Colégio São Gonçalo aumentou. Cresceu tanto que em 1912 o diretor Pe. Francisco de Aquino Correa precisou ampliar o espaço para que os alunos conhecessem a Deus, a Nossa Senhora, a viver a vida cristã, ter o ideal de progredir na vida e ajudar sua cidade a crescer e ser cada vez melhor. Na pedra fundamental da nova “Capela” o diretor escreveu: “Pedra fundamental do Santuário dedicado à propagar a devoção de Nossa Senhora Auxiliadora aos jovens educandos e às famílias que virão morar perto de nós”!

 No projeto do Santuário, Pe. Aquino Correa pediu que a porta de ingresso fosse para o lado exterior ao colégio, visão evangelizadora e missionária! Os alicerces foram abertos por um numeroso grupo de índios Bororo, trazidos das missões “para mostrar aos cuiabanos que índio não é sinônimo de preguiçoso”. E eles deixaram a marca de uma grande empresa, toda manual, numa pedra duríssima. O Santuário foi construído todo de tijolos maciços e permaneceu inacabado, sem a atual torre, em cimento armado, construída nos anos 1959 e 60.

Na história das missões indígenas, índios Bororo e, meio século depois, índios Xavante, os Salesianos deram sua vida, dia a dia, em suor e no sangue. Seus túmulos, ao lado dos túmulos dos Bororo e Xavante, estão em Sangradouro, Meruri e São Marcos. Os mártires Fuchs e Sacilotti, pelos Xavante e Rodolfo Lunkenbein, por fazendeiros furiosos pela criação das Reservas indígenas, imitaram Jesus Cristo na imolação cruenta.

O Coração de Jesus, que se celebra o dia seguinte à chegada dos Salesianos, seja sempre a força deles para amar até o fim!

No mesmo dia 18.06 nasceu um jovem de Mineiros, que veio para estudar em Cuiabá e sentiu o chamado para ser Salesiano. Estudou e se formou no Colégio São Gonçalo.

É o Padre Sebastião Vilela Paniago, que completa hoje 93 anos de vida e que se consagra como o Salesiano vivo mais idoso da Missão Salesiana de Mato Grosso. Mil Parabéns! E obrigado por sua vida doada por tantos e tantos anos ao nosso povo. Deus lhe pague! Nossa Senhora alegre seu coração!