Pe. José Winkler foi o único Salesiano da Missão Salesiana de Mato Grosso, que dirigiu a Inspetoria durante dois mandatos, de 1978 a 1984 e de 1996 a 2002. Completa, hoje, 54 anos de vida sacerdotal. Fez seu curso de Teologia em São Paulo, no Instituto Teológico Pio XI e foi ordenado em São Paulo, na Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora – Bom Retiro, por Dom Rezende Costa, sdb, Arcebispo de Belo Horizonte – MG, com mais 20 diáconos, em 31.07.1966.

Ele completa, em 28 de outubro, 63 anos de vida missionária.

Como padre trabalhou, durante dez anos, em Araçatuba, em várias funções, de Professor, Administrador e Diretor, até ser nomeado Inspetor da Missão Salesiana de Mato Grosso para o período de 1978 a 1984. Terminando o mandato de inspetor, foi enviado em Angola, em plena guerra, como Responsável pelos Salesianos presentes naquele Pais e, sucessivamente, como Responsável pela Caritas Internacional, entidade católica que trabalha para auxiliar os povos sofridos, por calamidades naturais ou provocadas pela ambição humana.

Pe. José conseguiu sobreviver à guerra e voltar ao Brasil, em 1995. Foi nomeado Diretor da Missão indígena de Merúri e Professor da Escola dessa missão durante um ano e meio.

O sossego foi interrompido por uma nova missão, de ser Inspetor, pela segunda vez, para o período de 1996 a 2002. Ele aceitou, em agradecimento a Deus, por ter escapado com vida aos inúmeros perigos encontrados em Angola.

Concluído esse trabalho desgastante, Pe. José começou uma vida nova, como pároco: em Rondonópolis MT, por 4 anos e em Alto Araguaia MT, por mais 4 anos.

 Foi, então, transferido para Cuiabá, Colégio São Gonçalo, na função de Ecônomo (Administrador). Permaneceu somente um ano, pois foi nomeado Diretor do Colégio Dom Bosco em Campo Grande. Exerceu este cargo por um ano e meio e foi transferido, como Diretor, para a Casa Paulo VI, sempre em Campo Grande.

Após mais um ano e meio, veio a Cuiabá, São Gonçalo, como Administrador e, depois, como Vigário paroquial. Aqui permanece atualmente, enclausurado pela pandemia, com 85 anos de idade.

O que mais marcou a vida do Pe. José não foram as centenas e milhares de mortos pela guerra em Angola, nem as milhares de toneladas de alimentos que distribuiu, durante dez anos, para a população faminta daquele pais, nem as realizações como Diretor ou Inspetor, mas o modo como Deus o direcionou para salvar uma menina angolana, toda queimada e que ele, com uma irmã salesiana acompanhante, conseguiu levar até a Capital da Angola, Luanda, onde havia o único Hospital especializado para este tipo de problemas, construído em convênio com a Itália. Foram 200 quilômetros de estrada esburacada para chegar. Um dia inteiro de viagem, numa caminhonete desconfortável para uma doente tão grave, que se queixava, a cada buraco: mais devagar, padre!

 Após dois meses de tratamento, Pe. José teve a alegria de entregar a menina, restabelecida, a um irmão dela, que conseguiu chegar à capital para levá-la de volta em casa.

Uma outra lembrança inesquecível foi o retorno da Angola ao Brasil, em plena guerra, por ocasião do Natal. O comandante das tropas da capital foi convidado para um almoço de despedida. Foi-lhe pedida ajuda, a fim de poder deixar o país, em plena guerra. O comandante, com seus seguranças, garantiu sua volta e o acompanhou na viagem, de Kalulo até Luanda. Mas, chuvas pesadas provocaram um deslizamento de terra sobre a rodovia, que impedia a passagem e não havia meios para limpar a pista. Tinha-se formado uma lagoa, ao lado da estrada que parecia impossível transpor. E a comida, só bananas, estava no fim. Muita gente queria passar, mas não sabia como. Pe. José sugeriu que todos colocassem pedras, numerosas do outro lado da estrada, para encher a lagoa, de modo a permitir a passagem do carro, com tração nas quatro rodas.

Ninguém queria trabalhar, achando a empresa impossível. Mas o comandante ordenou aos soldados de obrigar o povo a carregar as pedras. Como formigas, o povo encheu de pedras uma parte da lagoa, de modo a oferecer uma possibilidade de passagem. Pe. José ao volante, pouco a pouco, conseguiu a façanha, tão impossível e inesperada, que o povo começou espontaneamente a cantar e dançar de alegria, pois todos poderiam aproveitar do trabalho realizado, para conseguir voltar às suas casas.

A união faz a força, mas às vezes, é necessária a força para fazer a união!

publicação em 31/07/2020